sábado, 28 de maio de 2016

Sobre a universidade.

     Falar sobre a universidade é bem complicado (pelo menos pra mim)...especialmente de um curso e uma universidade sobre os quais eu nunca tinha pensado muito. Há quase três meses me enfiei em Relações Internacionais na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e todo dia, depois da aula, volto pra casa com uma opinião diferente sobre tudo o que vejo, faço e presencio lá. É difícil colocar aqui exatamente o que essa experiência tem representado na minha vida, mas com certeza nunca vivi nada igual. Ou talvez tenha e ainda não percebi, afinal, três meses não é muito tempo. Mas o fato é que entender e processar tantas coisas novas ao mesmo tempo é MUITO estressante. Aliás, estressante é um dos muitos adjetivos que eu posso dar pra esse momento universitário da minha vida (lembrando que aqui nesse blog não é tolerada aquela hipocrisia de julgar o tamanho do problema dos outros; cada um tem o seu e fim): é estressante conviver com tantas pessoas tão diferentes de mim; é estressante tentar controlar minha ansiedade sobre absolutamente tudo; é estressante não ter mais os mesmo hábitos de antes, e ser obrigada a adquirir novos; é estressante não saber nada do mundo acadêmico e ter que aprender a se virar na marra; é estressante não ter mais seus antigos amigos por perto e ter que fazer novos; até as coisas boas são estressantes. Mas acho que você se acostuma, já que o estresse parece ser companheiro de muitos por toda a vida.
     Por ser minha primeira experiência na graduação, não sei bem dizer se as coisas que acontecem são exclusividade da Unila ou se é padrão...por isso fica complicado julgar se eu fiz a escolha certa. Tenho dito que entrar na Unila e em RI foi a primeira loucura da minha vida (super radical, né? Inclusive, ainda moro com meus pais!), considerando que eu queria fazer Direito em qualquer lugar que não fosse minha cidade. Poxa, eu sou uma pessoa controladora e que passou pelo menos seis anos estudando especificamente pra isso - toda vez que penso no assunto parece loucura pra mim! Até porque teria feito muita coisa diferente se soubesse que era isso que queria pra minha vida. Analisando melhor a situação, talvez não tenha sido minha primeira loucura, mas sim a primeira vez que o Universo mostrou pra mim que nem tudo pode ser planejado. E isso me assusta.
     Queria falar mais sobre a questão das pessoas e sobre como existem de todos os tipos delas na universidade. A primeira semana foi especialmente aterrorizante pra mim, chegar lá e não conhecer ninguém e perceber que a partir daquele momento eu ia ver um pedacinho do mundo e toda a diversidade que ele pode ter, em todos os sentidos. A cada dia isso ficava mais evidente: a cada nova amizade no Facebook e investigação nos perfis; a cada debate que pudesse surgir nas aulas; a cada votação sobre posicionamentos que a turma deveria tomar; a cada conversa no corredor. Costumava pensar que no Ensino Médio eu tinha visto de tudo, mas descobri que aquele era só o meu mundo. Hoje, o mundo que eu vivo não me pertence e sou sou mais uma coadjuvante. Hoje, escuto diariamente posicionamentos radicais que vão totalmente contra minha ideologia. Um exemplo? Drogas, infelizmente. Mas não vamos nos estender nesse assunto agora...isso merece um post exclusivo. Muitos ali passam por preconceitos pelos quais eu nunca passei e provavelmente nunca vou passar; mas alguns também se perdem na própria dor e esquecem que existem outros que sofrem por outras coisas (esse assunto de comparação de problemas aparece muito por aqui, não?). Na luta, alguns esquecem que nem todos são inimigos. Percebi que a universidade é um lugar cheio de egos. Guerras acontecem todos os dias entre gente que deveria estar ali pelos mesmos objetivos: conhecimento e estudo. É importante aprender a viver e conviver com a diferença, mas não se culpe se não for tão fácil assim no começo e não deixe que isso te faça doente e tire sua positividade!
     Descobrir que a Universidade não é esse grande templo sagrado do saber foi decepcionante. Nem todos estão lá pra mergulhar de cabeça no curso; nem todos estão lá pra estudar (acredita?); nem todos estão lá pra se formar no tempo estimado; nem todos estão lá pra criticar de forma construtiva; nem todos estão lá pra ter quatro anos proveitosos, quem dirá pra ajudar a deixar o SEU tempo mais agradável. Aqui, eu entendo porque algumas pessoas dizem que muitos não merecem a vaga que têm numa federal. Antes de entrar na faculdade, eu achava que depois que estivesse lá dentro tudo daria certo...ledo engano - a faculdade não é nada do que dizem, e mesmo que muitas pessoas digam coisas diferentes, nunca vai ser o que você vai sentir quando for sua vez.
     Claro, a faculdade tem muita coisa boa a oferecer. No meu caso, a oportunidade de estudar e ter como professores pessoas de outros países não tem preço, é super enriquecedor não só como experiência pessoal mas também como futura internacionalista. Se por um lado algumas expectativas não foram superadas, a minha universidade também trouxe novos interesses e perspectivas. Tudo tem dois lados. Depois de revisar tudo o que eu escrevi aqui, acho que algumas coisas eu tenho que esclarecer: eu estou muito satisfeita com tudo o que eu tenho feito na Unila. Se na primeira semana eu voltava pra casa incerta da minha escolha, hoje eu volto dizendo que faria essa escolha novamente; não sei como dizer isso de uma maneira não-clichê, mas eu amadureci muito nesses três meses e tenho feito de tudo pra mudar certos conceitos meus ao mesmo tempo que me mantenho fiel ao meu jeito de ser. Pegar o ônibus da Barreira até o PTI, com direito à vista pra Barragem, nunca vai deixar de ser surreal pra mim. Novamente digo que três meses é pouco tempo; pouco tempo pra decretar essa minha análise final; pouco tempo pra julgar tudo de forma definitiva; pouco tempo pra conclusões sem volta. O objetivo era dissertar não sobre a Instituição, e sim sobre as MINHAS impressões diante do meu primeiro ingresso nesse universo tão novo. Parando pra pensar no assunto, não sei nem mesmo o que amigos meus que estão em outra Instituições têm vivenciado...se passam pelas angústias, se divertem tanto quanto eu ou se surpreendem com tantas coisas novas.
     Pais, professores, universitários...é preciso discutir a vida depois do vestibular! É preciso uma perspectiva mais ampla sobre o que é a universidade de fato e sobre como nem tudo são flores. Não basta passar numa federal e não aguentar um semestre (vamos falar sobre saúde mental nesse espaço?). De nada vale todo o esforço quando aquilo que você conseguiu não era nada do que você esperava. Vá além e pense também sobre o que não pode ser como você espera; isso pode ser a diferença entre um tempo magnífico e um nem tão bom na faculdade. Tenho muito mais a dizer sobre esse mesmo assunto, mas gosto de pensar que ainda tenho tempo pra isso. Esse é o lugar que eu criei pra isso: contar tudo sem ninguém ser obrigado à ouvir.